SOLVANG, CALIFÓRNIA
O sotaque da colonização dinamarquesa confere o charme temático à pequena cidade onde, numa larga rua principal quase sem movimento, até as bicicletas param para dar passagem aos pedestres. Lá, apesar da presença massiva dos descendentes de dinamarqueses, o sotaque hispânico da missão Santa Ines, que antecede a chegada dos europeus, nos lembra que estamos na Califórnia, território que já fez parte do México.
A fotogênica lojinha de suvenires com telhado que imita o de um moinho de vento entre outros telhados de aparência nórdica esconde o caminho que leva à Missão de Santa Ines. Fundada em 1804, o prédio que se vê hoje foi reconstruído, após o terremoto de 1812 e uma nova construção, em tijolo cru, foi concluída em 1817, onde ainda hoje as missas são celebradas diariamente. Ali, também se passou a maior revolta indígena no período missionário após a independência do México em 1810.
Cansados dos maus-tratos e a exploração sofridos pelos soldados espanhóis que começavam a chegar, os índios das missões da área de Santa Bárbara se rebelaram. Incendiaram muitas das tendas e oficinas montadas pelos soldados, deixando intacta a igreja. Dois índios foram mortos em Santa Inês. Os rebeldes fugiram para a missão vizinha, La Purisima, em Lompoc. Mas acabaram sendo alcançados pelos soldados.
Visitando a missão de Santa Inês entende-se porque os primeiros colonizadores dinamarqueses escolheram ali o lugar para firmar moradia, no século XX. Eles já tinham passado pelo estado de Iowa, e buscavam em terras mais ensolaradas uma região com relevo adequado para estabelecerem suas propriedades rurais, mas que tivesse o clima mais ameno. Encontraram na palavra "solvang", a inspiração para dar nome aos "campos ensolarados" que encontraram nos arredores da missão fundada por espanhóis. Em 1910, formaram um comitê composto por três colonizadores e compraram uma gleba de terra e água do antigo Rancho San Carlos de Jonata, estabelecendo uma pequena comunidade ao lado da histórica Missão de Santa Ines. Em 1911, vieram as famílias e outros dinamarqueses para estabelecer na região suas fazendas de criação de gado. Para preservar a herança cultural trazida da Europa, construíram logo em seguida uma igreja e uma escola (que atualmente abriga o Bit O'Denmark Restaurant). Mas nada parecido com a "Dinamarca da Califórnia" que se visita hoje:
- Até meados dos anos 50, a arquitetura da cidade seguia o estilo do Oeste americano, com fazendas espalhadas. Até que uma reportagem publicada no "Sunday Evening Post" identificou a cultura dinamarquesa em Solvang, o que, aos poucos, começou a trazer os turistas.
No passeio para conhecer o centrinho da cidade, o visitante encontra, de cara, muitas lojinhas de suvenires - principalmente objetos de decoração para casa - e guloseimas: padarias e docerias, onde se pode tomar um café da manhã com "pão e manteiga" e um pãozinho doce, bem parecido com sonho.