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Também nós, seres raros, de divinas
Intenções e humaníssimas virtudes,
Levando os nossos sonhos para a frente,
- Com a nossa íntima luz desconhecida -
Vamos fazendo cotidianamente,
Pelo mundo das almas pequeninas,
Nossas “Viagens de Gulliver” na Vida.
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Lilliput...em farândolas grotescas
Os anõezinhos trêfegos, daninhos,
Diabólicos, fantoches, hilariantes,
Formigando nas estradas,
Bailando pelos caminhos,
Imaginam ridículas ciladas,
Insidiosas e inúteis emboscadas,
Ao passo distraído e imenso dos gigantes...
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Eles passam...seu vulto enche os espaços,
E toda Lilliput alvoroçada,
- Simples despeitos de anão –
Erguendo em gestos maus todos os braços,
Deita impropérios, maldições, ameaças,
Mas eles vão e vêm e vão,
Num desprezo triunfal,
Com essa tolerância azul das grandes raças,
Tão ironicamente e mansamente,
Que os coitados pigmeus, não lhes tocando
Sequer o calcanhar, contentam-se, afinal,
Com pisar-lhes a sombra indiferente...
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A calúnia do anão, pisar as sombras!...
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“Por que será, então, que é tudo tão pequeno
Nessa cidadezinha universal?!
As paisagens, as almas, o ideal,
As figuras, a vida, os sentimentos?!”
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E, assim pensando, com piedade e com doçura,
Os gigantes, de espírito sereno,
Vão passando, sorrindo e repassando
Por essa humanidade em miniatura...
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Sim, porque é mesmo assim e sempre foi assim:
Quem vai pelo mistério das estradas,
Rumo ao país dos deuses e das fadas,
Por mais que evite ou que lute,
Tem de sempre passar por Lilliput,
Nessas “Viagens de Gulliver” da Vida.
RAUL DE LEONI